passa a palavra que cai no chão. desértico, por sinal.
corre a palavra de ritmo, ritmada. à espera do tal sinal.
correm as pessoas, com as cabeças metidas em si.
até agora nada fora do que é banal.
sai o carteiro que vai atrasado, que aquelas cartas já são de ontem.
tem a mulher e os filhos à espera em casa, desde o passado.
volta para a terrinha, com a cabeça metida em si próprio.
já naquele tão ritmado ritmo, que se lho tiram lá se vai a vida
e o estafermo que o quiz desorientar.
banais são as vidas que por ele passam.
"que a mim nem sequer me tocam, esses estafermos"
"já basta a minha mulher... a sopa já deve estar fria"
apanha as chaves do carro que deixou cair.
olha a eito por quem lhe cerca,
dita o mundo e por vezes até acerta.
mas a vida não lhe corre tão bem,
lá em casa, não chega para a sopa.
já pouca sopa mete em si. que para os ladrões há sempre que lhes alimentar a boca.